Precisamos falar sobre a violência – Por Anna Paula Mandelli!

Precisamos falar sobre a violência – Por Anna Paula Mandelli!

Infelizmente por motivos trágicos e e por motivos de conscientização é preciso falar sobre violência.

Devido aos últimos fatos que ocorreram e que vem ganhando destaque na mídia – e olha que nem estou falando em especial do caso do reality show – mas infelizmente a violência velada contra a mulher vem se tornando cada dia mais normal e tornando-se invisíveis aos nossos olhos.

Acredito que além de discutir sobre tudo isso, é preciso conscientizar à todos para que possamos entender que a violência acontece nas duas diversas maneiras e naturezas e não deve ser reconhecida somente quando se torna física ou como algo que fosse “normal” ao nosso cotidiano.

Vejo o blog com um papel muito importante nesse processo, porque além de eu trazer dicas de diversos assuntos que muitas vezes são super prazerosos e divertidos, ele também deve ter seu cunho social para que cada vez mais entendamos o que esta acontecendo e que possamos sim, ajudar umas às outras – e não estou falando só das mulheres mas sim, de todas as pessoas em seus mais diversos gêneros.

Dentre tantos relatos que li essa semana, me deparei com esse texto que por sorte nossa é de uma querida conhecida minha e que gostaria muito de compartilhar com vocês. Quem escreve é a Anna Paula Mandelli,  advogada, pós-graduanda em Direito Civil e Processo Civil e que atualmente reside em Campo Erê/SC.

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Precisamos falar sobre a violência

Nos últimos dias só se fala nos jornais, nas redes sociais, sobre a violência contra a mulher em alguns casos que se tornaram “famosos”. Em um dos casos uma mulher foi assediada, e consta, em algumas fontes da notícia, que a situação perdurava há mais de 8 meses. No outro, um participante de um reality show agride fisicamente e psicologicamente a namorada em uma briga e a namorada nem se dá conta de que sofreu alguma violência.

Talvez precisássemos de alguns “casos virais” para chamar atenção de toda a população para os casos que, infelizmente, não se tornam públicos. Não acontece só com a figurinista e não é só com a namorada. Acontece em silêncio dentro de casa com a mãe e com a irmã, acontece na rua, na volta do trabalho, na ida pra aula. Acontece dentro da sala de aula e até dentro do local de trabalho. Acontece. E você tem que estar consciente.

Digo que você tem que estar consciente porque fomos criadas em uma sociedade onde, muitas de nós acham que devem aguentar determinadas situações constrangedoras para não enfrentar o marido e “perder” um casamento, ou para não perder o emprego, ou para não sofrer represálias do chefe, para não arriscar ir mal na nota daquele professor. Onde muitas de nós apanham caladas para não prejudicar o agressor, são humilhadas, tentam sair de uma discussão e são encurraladas em uma parede com um dedo apontado para o rosto.

Fomos criadas numa sociedade onde era normal o avô controlar o dinheiro do trabalho da avó e, além dela enfrentar longas jornadas de trabalho, no final do mês ter que pedir permissão para o marido para usar do próprio dinheiro. Nos acostumamos com nossos pais não permitindo que nossas mães comprassem determinadas coisas, como se coubesse a eles esta decisão. Passamos por casais na rua onde ele empurra a namorada, insulta e humilha e vemos só como uma “discussão do casal”. E não somos só nós que vemos isso, elas também não viram que foram violentadas.

Eu poderia elencar um milhão de situações de violência contra a mulher. Mas vou citar algumas e, saiba que, se você passa por alguma dessas situações você está sendo violentada e deve denunciar. É violência física quando te empurram, te amarram, te batem, te chutam e te puxam. É violência psicológica quando te humilham, te insultam, te perseguem, te ameaçam, te isolam. É violência sexual quando te obrigam a fazer coisas que você não quer, quando te pressionam. Se ele controla teu dinheiro, tuas compras, teus bens e não te deixa trabalhar você está sofrendo uma violência patrimonial e econômica. Não são, nem de longe, todas as situações a que somos expostas, mas, espero que a conscientização de que estas também são formas de violência ajude outras mulheres.

Não é sobre uma disputa de sexos, é sobre dignidade.

Se você está sofrendo algum tipo de violência ou sabe de alguém que sofre, disque 180 e denuncie ou procure a Delegacia de Polícia mais próxima.

A violência contra a mulher é da sua conta, SIM.

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Anna Paula Mandelli Alves, 24 anos, advogada, pós-graduanda em Direito Civil e Processo Civil.

 

Sobre

Juliana Thomé

O JT nasceu de uma necessidade pessoal em compartilhar minhas experiências de vida e também para dividir o meu olhar sobre esse mundo da moda que é tão presente no nosso dia a dia mas que muitas vezes acaba se tornando pouco didático.

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